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Autocuidado: olhando para o ambiente ao redor

Atualizado: 16 de nov.


Cuidar dos ambientes é negligenciado como estratégia de autocuidado.


O conceito de autocuidado é abrangente. Geralmente, relacionamos o cuidar de si, a ações individuais para preservar a saúde e prevenir doenças.


Quase nunca, associamos o autocuidado à relação que temos com espaços do nosso cotidiano. Cuidar do local de trabalho, por exemplo, pode ser curativo. Pensar no lar como espaço sagrado, pode nos transformar e nos levar a estabelecer uma nova relação com ele.


Os ambientes influenciam e podem promover a saúde e o bem-estar. Olhar para os espaços privados ou para o local de trabalho e reconhecer o poder que têm de influenciar nosso estado emocional, é algo quase sempre negligenciado.


Um foco em ambientes da saúde


Pessoas que estão na linha de frente da saúde lidam, diariamente, com a dor de pacientes, seja ela física ou emocional. Várias pesquisas e estudos que mostram o desgaste emocional enfrentado por elas, provocando impactos tanto na vida profissional quanto na pessoal.


Recente trabalho do Instituto Qualisa de Gestão, realizada em cinco Estados brasileiros com profissionais da área de enfermagem – técnicos, auxiliares e enfermeiros – confirmou a necessidade de um olhar mais atento para aqueles que cuidam que quem está doente. O levantamento revelou que 18% dos entrevistados declararam exaustão emocional, fator que leva ao burnout. O sentimento de baixa realização profissional atinge 69% dos profissionais. Não é difícil imaginar que o mesmo quadro atinja médicos e também fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros cuidadores, profissionais ou não.


A pandemia do COVID-19 trouxe à tona, a realidade extenuante desses profissionais. Os dias desafiadores revelaram também, que o autocuidado é desprezado pela grande maioria deles, o que gera um alto índice de problemas físicos, emocionais e mentais como depressão, burnout, ideações suicidas, dentre outros.


Como já mencionado, as orientações para o cuidado pessoal, passam, quase sempre por atos que focam na prevenção de doenças e na preservação da saúde. É pouco frequente ouvir falar de iniciativas que focam na busca de mudanças nos locais de trabalho como fator que pode proporcionar uma melhoria na vida dessas pessoas.



Pequeno cachepô azul claro,  com um cacto. Em relevo o desenho de  um cacto verde. Ao fundo uma planta desfoada
Foto: Sandra Martins (Unsplash)

O lar como local sagrado


Voltar para casa após um longo dia de trabalho pode ser reconfortante para a maioria das pessoas. Voltar para a casa e encontrar um espaço em que se sente seguro, acolhido, no qual as energias são recarregadas é algo ainda mais especial.


É possível projetar o afeto em ambientes de forma a aumentar a conexão e a sensação de pertencimento a eles. Criar espaços afetivos requer o autoconhecimento, respeito pela nossa história de vida e também das pessoas que compartilham o mesmo espaço conosco. Identificar objetos como quadros, fotos, móveis que tenham um sentido especial, cuidar da iluminação, incluir plantas, buscar tudo que nos faz bem é a receita para a decoração de qualquer cômodo. Buscar sagrado para criar o sagrado.


Estratégias comuns


A criação de melhores ambientes profissionais ou privados requer, em primeiro lugar, uma escuta ativa por parte de todos os envolvidos e que compartilham o mesmo espaço. Posteriormente, exige a colaboração na busca de estratégias que possibilitem acolher as pessoas e projetar o que se pretende, tendo em vista o bem-estar, a qualidade de vida e a convivência sadia entre todos.


Não há limites quando a sensibilidade, a criatividade e o desejo de cuidar de si estão conectados na direção de uma vida melhor.


Juliana Toscano

Aquela que dá colo

Jornalista

PaliAtivista

Sentinela – Guardiã de Fim de Vida

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